A viagem de Maputo para Rustenburg subiu de 450 rands (27 euros) para 500 rands, enquanto da capital moçambicana para Durban subiu de 400 rands (24 euros) para 450 rands (27 euros).

O preço de transporte de passageiros entre Moçambique e África do Sul, uma das maiores economias africanas, vai subir a partir de 1 de agosto, mas para quem faz o trajeto regularmente o aumento justifica-se face à vertiginosa inflação.

“O aumento vai afetar as minhas contas, mas eles [os transportadores] têm razão, não há dinheiro. Tudo subiu em Moçambique, menos o salário”, diz à Lusa Rosta Massingue, moçambicana que faz o trajeto há mais de 20 anos para visitar a família que vive na terra do “rand”, como é popularmente descrita a África do Sul entre os moçambicanos.

Sentada num autocarro com destino a Rustenburg, no terminal da baixa de Maputo, Rosta Massingue faz as contas, que nunca batem, e lamenta o aumento dos preços.

Esta moçambicana começou a fazer viagens em 2001, quando o transporte custava 180 rands (11 euros), e hoje, tendo de pagar 500 rands (cerca de 30 euros), cogita reduzir as visitas à sua família.

Com a subida dos preços dos combustíveis em Moçambique e também na África do Sul, a situação ficou “mais pesada” e “sufocante” para os transportadores, obrigando-os a aumentar 50 rands (três euros) no custo das viagens, explica Francisco Mandlate, secretário da Moçambique, África do Sul Transportes Associados (Mosata).

“Nós tentámos resistir [à subida dos preços com a inflação global] por um tempo. Mas ficámos sufocados e daí tivemos de aumentar um bocado a tarifa”, refere o responsável.

A viagem de Maputo para Rustenburg subiu de 450 rands (27 euros) para 500 rands, enquanto da capital moçambicana para Durban subiu de 400 rands (24 euros) para 450 rands (27 euros).

Por outro lado, viajar de Maputo para Johannesburg passa de 350 rands (21 euros) para 400 rands (24 euros) e da capital moçambicana para Nelspruit há um aumento de 30 rands (dois euros), passando de 200 rands (12 euros) para 230 rands (14 euros).

Segundo a Mosata, que faz também viagens para o reino Essuatíni (antiga Suazilândia), as receitas “baixaram drasticamente”, o que se agrava pelo facto de atravessarem fronteiras e movimentarem-se em países com preços diferentes.

“A subida devia ter sido de 100% para que a gente voltasse à rotina normal de ganhos”, defende Marcos Abílio, motorista que faz a rota Maputo – Rustenburg, referindo que mesmo a nova tabela “não vai compensar” os custos das viagens.

Antes da subida dos preços dos combustíveis em Moçambique, Marcos gastava cerca de 2.500 rands (149 euros) para fazer uma viagem, mas, com a vertiginosa subida de preços, passou a gastar quase o dobro, ou seja, só para ir a Rustenburg o motorista precisa de cerca de 4.200 randes (250 euros).

“A pessoa que conduz tem de ser paga, também temos de pagar pelo combustível, o óleo e muitas outras coisas”, refere Marcos Abílio.

“Eles aumentaram pouco o preço do transporte, mas pela falta de dinheiro parece muito”, refere Violeta Tamele, 47 anos, enquanto caminha, junto de outras duas mulheres, em direção às lojas da baixa da cidade de Maputo para comprar capulanas e revender na África do Sul.

Violeta e as suas duas companheiras fazem três viagens por mês para vender capulanas em Komatipoort, na África do Sul, e mesmo que não tenha havido ainda um aumento da tarifa na sua rota, já conseguem prever o “caos” que será nas suas contas.

“Vai ser difícil. A situação vai afetar as minhas contas e vou ter de reduzir as viagens”, lamenta Zaveta António, que faz viagens há 12 anos para vender as capulanas.

Apesar da redução de receitas devido à subida do preço do combustível em Moçambique, os transportadores mantiveram o preço de viagens para Essuatíni para “poupar o passageiro que ainda tem de pagar pelo teste da covid-19” naquele país.

A nova tabela de transportes internacionais ocorre após as paralisações de 04 julho, quando proprietários de autocarros e ‘chapas’, ligeiros improvisados como transporte urbano coletivo em Moçambique, encostaram os seus veículos em protesto contra o aumento do preço dos combustíveis, provocando longas filas e confusão nalgumas zonas da capital moçambicana.

A gasolina subiu de 83,30 meticais (1,24 euros) por litro para 86,97 meticais (1,30 euros) e o gasóleo passou de 78,97 meticais (1,18 euros) para 87,97 meticais (1,32 euros) por litro.

Em 2008 e 2010, o aumento do preço de transporte rodoviário, acompanhado do agravamento do custo dos bens e serviços essenciais, gerou revoltas populares nalgumas das principais cidades do país, resultando em confrontos com a polícia e destruição nalguns locais.

Escrito por: África 21 Digital

A agência de viagens Travelgest, que apoia o setor do turismo em Angola, prevê triplicar o número de comboios turísticos que chegam a Angola a partir de 2023, disse hoje à Angop o director da empresa, José Cabral.

O director da empresa, que falava à chegada à província do Moxico, leste de Angola, de uma delegação de turistas a bordo do luxuoso comboio “RUVOS”, proveniente das Cataratas Vitória do Zimbabué, com destino ao Lobito, província de Benguela, centro-oeste.

O comboio que transporta turistas de várias nacionalidades, incluindo suíços, sul-africanos, holandeses e russos, passou pela Zâmbia e pela República Democrática do Congo.

Cabral acrescentou que com a normal retoma do segmento económico no país após um período “turbulento” imposto pela pandemia de covid-19, estão criadas as condições para aumentar a frequência anual de comboios com turistas para maior divulgação do potencial de Angola.

Cabral adiantou que o país vai receber este ano dois comboios turísticos, sendo que o segundo chega a 29 de julho de Dar es Salaam, capital da Tanzânia.

Na cidade do Luena os turistas fizeram uma visita guiada ao Cinema do Luena, Monumento da Paz e à Catedral da Diocese Católica do Luena.

Na ocasião, a turista suíça de 88 anos, aparentemente a mais velha da caravana, Michelle Doret, disse estar a visitar o país pela primeira vez e ficou encantada com a acolhida da população do Moxico, caracterizando-a como “alegre” e “energético”.

A mais nova da caravana, por sua vez, a sul-africana Clara Merry, de 20 anos, disse que está a aproveitar esta viagem turística para aprofundar o conhecimento cultural que adquiriu sobre Angola, sobretudo o seu mosaico cultural.

O administrador municipal do Moxico, Quintas Miúdo Sempiecas, destacou as potencialidades económicas e culturais da província, com destaque para a agricultura, apicultura, pesca e madeira.

Escrito por: África 21 Digital

Governo de Cabo Verde atribuiu ao grupo francês Vinci a concessão dos aeroportos no país durante 40 anos. A portuguesa ANA participa no negócio. 

O Governo de Cabo Verde assina na segunda-feira o contrato de concessão do serviço público aeroportuário ao grupo Vinci, envolvendo a gestão por 40 anos dos quatro aeroportos internacionais e três aeródromos, recebendo 80 milhões de euros.

Em comunicado divulgado este domingo, o Governo cabo-verdiano refere que a cerimónia de assinatura do contrato de concessão com a administração do grupo Vinci vai decorrer na ilha do Sal e será presidida pelo primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, contando com a presença do secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Portugal, Francisco André, entre outros convidados.

Trata-se de uma concessão que o Governo cabo-verdiano decidiu atribuir à Vinci Airports por ajuste direto, prevendo para a ANA – Aeroportos de Portugal 30% das participações na sociedade de direito cabo-verdiano criada para assumir este contrato.

“A intenção do Governo de Cabo Verde de concessionar o serviço público aeroportuário de apoio à aviação civil a investidores privados tem por objetivo expandir e modernizar a rede aeroportuária cabo-verdiana e, ao mesmo tempo, promover o turismo no país, reforçando a posição competitiva dos aeroportos nacionais em benefício da economia nacional e dos passageiros e utilizadores das Infraestruturas Aeroportuárias e captando o interesse de novos operadores aéreos”, afirma o executivo, no comunicado divulgado hoje.

Segundo o resumo da minuta do contrato, a que a Lusa teve acesso, este acordo prevê o pagamento da concessionária ao Estado de Cabo Verde, “pelo direito à concessão, por um período de 40 anos, uma comissão de entrada” de 80 milhões de euros, entregue em duas tranches. A primeira parcela, de 35 milhões de euros, na data de início da concessão e os restantes 45 milhões de euros “no momento em que se registe a recuperação do tráfego registado em 2019 ou, no primeiro trimestre de 2025”, conforme o que aconteça primeiro.

O grupo Vinci terá ainda de pagar anualmente uma percentagem das receitas brutas ao Estado de Cabo Verde, de 2,5% de 2022 a 2041, de 3,5% de 2042 a 2051 e de 7% de 2052 a 2061.

Após a assinatura do contrato de concessão iniciar-se-á um período de transição de seis meses, estando o grupo Vinci obrigado a pagar uma caução ao Estado cabo-verdiano de dois milhões de euros.

“O início da concessão (no prazo máximo de 12 meses após a data de assinatura do contrato) depende do preenchimento de determinadas condições pelas partes, que se encontram legalmente previstas”, lê-se ainda.

A concessão prevê também um investimento por parte do grupo Vinci nos aeroportos e aeródromos de Cabo Verde, ao longo dos 40 anos da mesma, de 619 milhões de euros, dos quais 281 milhões de euros para a ampliação das infraestruturas portuárias e os restantes 338 milhões de euros para manutenção pesada.

O contrato de concessão prevê igualmente a integração de até 382 dos atuais cerca de 500 trabalhadores da empresa estatal Aeroportos e Segurança Aérea (ASA).

Está prevista a “transferência para os quadros do pessoal da concessionária de pelo menos 306 colaboradores da ASA”, com a “possibilidade de integração de mais 76 colaboradores que estão, nesta altura, em avaliação” pela atual empresa pública que gere os quatro aeroportos e três aeródromos do país a concessionar.

A Lusa noticiou recentemente que o grupo Vinci já criou uma empresa em Cabo Verde para gerir a concessão dos aeroportos e aeródromos nacionais, que vai ser formalmente liderada por Nicolas Notebaert, responsável pelas concessões internacionais da multinacional.

A informação consta do extrato de publicação da constituição da empresa Cabo Verde Airports SA pela Conservatória dos Registos Comercial e Automóvel da Praia, de 12 de maio.

A Cabo Verde Airports foi constituída com um capital social de 2.500.000 escudos (22.700 euros), representando 2.500 ações, e sede na cidade da Praia, tendo como presidente do conselho de administração Nicolas Notebaert e administradores Thierry Franck Ligionniere e Remi Guy Longevialle.

Segundo informação da Vinci, Nicolas Notebaert é membro do comité executivo do grupo, com as funções de diretor-executivo da Vinci Concessions, com responsabilidade numa rede de infraestruturas em 22 países, incluindo 53 aeroportos e 30 infraestruturas rodoviárias e vários projetos ferroviários, entre os quais a linha de alta velocidade South Europe Atlantique, em França.

O primeiro-ministro cabo-verdiano afirmou anteriormente que a adjudicação direta da concessão dos aeroportos do arquipélago ao grupo Vinci foi uma opção do Governo que cumpre a lei e que justificou com as garantias recebidas da empresa.

“Acabamos por fazer uma boa escolha. A Vinci é uma empresa de referência mundial, das cinco melhores do mundo em gestão aeroportuária, que nos garante que temos uma boa solução”, afirmou o chefe do Governo, Ulisses Correia e Silva.

Confrontado por a decisão não ter envolvido um concurso público para a entrega dessa concessão, Ulisses Correia e Silva assumiu tratar-se de uma opção governativa e que “está prevista na lei”.

Escrito por: África 21 Digital

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