Túnis - O ministro tunisino do Transporte, Anis Ghedira, anunciou a abertura de uma nova ligação aérea, inicialmente prevista para 2019, com início dia 27 de março , entre Túnis e Conakry, na Guiné.

Falando durante uma sessão plenária da Assembleia dos Representantes do Povo Tunisino (Parlamento), Ghedira precisou que esta ligação terá frequência de dois voos por semana.

O governante tunisino reconheceu que o seu país se atrasou em interessar-se pelo mercado africano, promissor em comparação com outros países, indicando que o seu ministério projeta estabelecer as bases necessárias para reforçar a presença tunisina no continente.

Ele anunciou também estar programado um voo diário para Abidjan (Côte d'Ivoire), de ida e volta, intensificando ao mesmo tempo os voos para o Senegal, que aumentarão para seis frequências semanais em vez das quatro atualmente.

A Tunísia  prevê  ainda lançar dois voos para o Benin e o Togo, em finais de 2017, e um semanal para os Camarões em ligação com o Gabão e o Tchad, sem contar um outro voo Túnis-Addis Abeba, via Cartum, no Sudão. Panapress

Praia - O número de hóspedes em hotéis cabo-verdianos cresceu 13,2 porcento em 2016, quando comparado com o movimento registado no ano anterior, de acordo com dados divulgados terça-feira, na cidade da Praia, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) de Cabo Verde.

De janeiro a dezembro de 2016, os estabelecimentos hoteleiros registaram mais de 644 mil hóspedes e mais de 4,1 milhões de dormidas, o que, em termos absolutos, representa mais 75 mil e 42 entradas de turistas.

No período em referência, as dormidas nas unidades hoteleiras cresceram 10,3 porcento, ou seja mais 382 mil 551 dormidas do que em 2015.

O Sal foi a ilha mais procurada por turistas, representando cerca de 45,6 porcento das entradas nos estabelecimentos hoteleiros.

O Reino Unido (20,5 porcento) foi o principal país de proveniência de turistasseguindo pela  Alemanha com 11,1 porcento, por Portugal e França com 10,1 porcento cada e pelos Países Baixos (Bélgica e Holanda), com 9,7 porcnto.

Relativamente às dormidas, o Reino Unido permanece no primeiro lugar com 30 porcento do total, seguido da Alemanha, da Holanda, França e de Portugal, com 12,9 porcento, 11,7 porcento, 8,0 porcento e 7,8 porcento, respetivamente.

A maioria dos turistas provenientes do Reino Unido preferiu como destinos as ilhas do Sal e da Boavista representando, respetivamente 49,9 porcento e 49,2 porcento das dormidas e escolheram como local de acolhimento hotéis, 93,3 porcento.

As duas ilhas foram também as prediletas dos residentes da Alemanha, da Holanda, da França que optaram quase sempre por pernoitar em hotéis.

Os dados do INE mostram também que os visitantes provenientes do Reino Unido foram os que tiveram maior permanência média em Cabo Verde no ano em análise, ou seja 9,1 noites, aos que se seguem os provenientes da Holanda (7,4 noites), da Alemanha com 7,1 noites e da Itália (5,2 noites).

Em média, a taxa de ocupação, designadamente camas, a nível geral, foi de 55 porcento, superior à registada em 2015 (49 porcento) ao passo que as ilhas da Boavista e do Sal tiveram as maiores taxas de ocupação, ou seja  camas com 82 porcento e 58 porcento, respetivamente.

Os hotéis foram os estabelecimentos com maior taxa de ocupação, ou seja cama 64 porcento, seguem depois aldeamentos turísticos e pousadas com 36 porcento e 24 porcento, respetivamente.

Os dados globais constam das estatísticas do turismo relativas ao 4º trimestre de 2016, divulgadas terça-feira, e que revelam que, nos últimos três meses do ano, os estabelecimentos hoteleiros acolheram 182 mil 794 hóspedes, mais 13,9 porcento do que no período homólogo do ano anterior.

Em termos absolutos, entraram nos estabelecimentos hoteleiros mais 22.249 turistas do que em igual período do ano transato.

Foram ainda registadas um milhão e 131 mil e 686 dormidas no mesmo período, o que se traduziu numa variação positiva de 8,6 porcento, em relação ao 4º trimestre de 2015, e, em termos absolutos, houve um aumento de 89 mil e 980 dormidas.

Salvador - Salvador - O tradicional bloco afro Ilê Ayiê desfilou nas ruas de Salvador na noite deste sábado (25), recontando a tradição do povo negro pela 43ª vez. Para o carnaval de 2017, o Mais Belo Dos Belos levou o tema Os Povos Ewé/Fon, a Influência do Jeje Para os Afrodescendentes, como forma de contar a história da chegada do povo Jeje ao Brasil – identidade étnica de alguns africanos escravizados. Como parte da homenagem, alguns terreiros de candomblé – pertencentes à nação Jeje - foram lembrados, inclusive o Terreiro Ilê Axé Jitolú onde surgiu o Ilê Ayiê.

"O tema é muito interessante, porque fala sobre a nossa religião e citamos terreiros importantes. Neste carnaval, nossa cultura e nossa tradição são retransmitidas através de nós. Num momento em que se fala tanto sobre intolerância religiosa, é muito importante ter um tema desse, com as canções que falam disso, cantadas por todo o mundo", disse um dos fundadores do bloco, Antônio Carlos dos Santos, conhecido como Vovô do Ilê.

Antes de seguir para o Circuito Mãe Hilda, um ritual foi celebrado no Terreiro do Ilê Ayiê, de onde saíram os participantes, pela Ladeira do Curuzu. A ialorixá do terreiro, a mãe-de-santo Hildelice Benta, presidiu uma cerimônia, enquanto a banda do Ilê tocava as canções tradicionais do bloco, aos batuques de tambores, e outros participantes jogavam pipoca e milho branco no povo.

A pipoca é uma oferenda ao orixá Obaluaê, o santo ao qual pertencia Mãe Hilda, já falecida, que foi esposa do fundador Vovô do Ilê. O milho branco foi ofertado a Oxalá, um dos principais orixás do candomblé, a quem se pede paz. Após as oferendas, fundadores do Ilê soltaram pombos brancos, como fazem tradicionalmente, para reforçar o pedido de paz.

Representatividade

Além da cerimônia e do desfile, o evento foi marcado pela apresentação ao público da recém-eleita Deusa do Ébano do Ilê Ayiê de 2017, Gisele Soares. Escolhida para representar a beleza e a resistência da mulher negra, a mais nova Rainha do Ilê passou por uma fase de preparação e isolamento, por três dias. Gisele foi vestida e embelezada pelos tecidos do bloco e pelas mãos da responsável pelo figurino do Ilê, Dete Lima.

A nova Deusa do Ébano se emocionou em alguns momentos da cerimônia e disse ter tentado segurar as lágrimas, sobretudo pela "honra em representar a beleza negra" e a responsabilidade de representar isso para outras meninas que precisam se aceitar e ter auto-estima.

"Quando fui eleita, senti uma realização. Realização de sonho, de afirmação da minha negritude, realização de conquista de luta diária que todas nós mulheres negras lutamos e sofremos, todos os dias, para sermos reconhecidas na sociedade. E quando você recebe um cargo de Deusa do Ébano e sabe que vai representar todas essas mulheres que não se veem em lugar nenhum, mas vão se ver em você, é uma honra", disse emocionada Gisele Soares, de 24 anos.

Dificuldades financeiras

Este ano, o Ilê Ayiê foi às ruas com menos patrocínios que nos anos anteriores e alega enfrentar dificuldades financeiras. Na avenida, o Mais Belo Dos Belos levou menos alas do que o comum e incluiu dançarinos que participaram voluntariamente, sem receber pagamento. O bloco também reduziu pela metade o número de percussionistas, que foram apenas 50 este ano.

O governo do estado da Bahia financia parte dos desfiles. Mas a falta de patrocínio da iniciativa privada também pode afetar a continuidade dos projetos sócio-educacionais do Ilê, como a Escola Mãe Hilda e a escola de arte educação Band'Erê.

"A dificuldade em captar patrocínio tem de ser discutida aqui na nossa cidade. Nós [pessoas negras de religiões afro] somos maioria, consumimos qualquer tipo de produto. Há uma dificuldade de sensibilizar a percepção dos empresários de que é importante juntar o produto deles com a marca do Ilê Ayiê, daria retorno, mas infelizmente não conseguimos essa sensibilização", lamenta o fundador Vovô do Ilê.

Presente também na cerimônia, a secretária estadual de Promoção da Igualdade Racial, Fábia Reis, associou a queda de patrocínio ao "racismo institucional", que desmerece a cultura e o público negro – maioria em Salvador – e apoia somente projetos com apelo comercial e midiático.

"É importante que elas [empresas] olhem os blocos afro de um modo geral, como os de samba ou afoxé, que têm essa ligação identitária com o nosso carnaval. O carnaval da Bahia tem essa força e essa beleza estética por essa presença [do povo negro], então é importante que as cervejarias – que são grandes patrocinadoras e investem no carnaval – vejam que a população, a massa consumidora da cerveja, é o povo negro, maioria aqui na cidade, que é a mais negra fora de África. Então, é o seu consumidor e ela [cervejaria] precisa respeitar, valorizar, patrocinar, não só no carnaval, mas durante todo o ano", argumentou a secretária.

O desfile atraiu a participação de diversos visitantes, além de vereadores, deputados, secretários, do prefeito de Salvador, ACM Neto, e do governador da Bahia, Rui Costa. Após a cerimônia na Ladeira do Curuzu, no bairro da Liberdade de Salvador, o cortejo saiu às ruas do Circuito Osmar, no Campo Grande, na madrugada de hoje (26). Amanhã (27) e na terça-feira (28), o bloco afro mais antigo de Salvador volta ao Circuito Osmar, puxado por trios.