São Tomé - A ilha do Príncipe, do arquipélago de São Tomé e Príncipe, no golfo da Guiné, é hoje um balão de ensaio de desenvolvimento sustentável num projeto de uma multinacional tecnológica que quer conciliar naquele território a preservação da natureza virgem e a exploração turística.

"É uma ilha que o tempo quase esqueceu, com um ar pré-histórico e nuvens espessas sobre a floresta, com a selva junto ao mar. Uma ilha notável no meio do oceano", disse, em entrevista à agência Lusa, Buster Howes, administrador da Here Be Dragons (HBD), do multimilionário sul-africano Mark Shuttleworth, um empreendedor digital que se apaixonou pelo território de São Tomé e Príncipe.

"As pessoas são benignas, genuínas e com sorrisos abertos", afirmou o ex-general britânico na reserva, que se encantou pelas "naturais qualidades da ilha, com praias desertas e um oceano azul".

Apesar dos investimentos locais, como a construção de um novo aeroporto internacional ou arranjos de estradas e equipamentos, 65% da população trabalha em agricultura de subsistência, num quadro económico muito frágil: "Quando aterramos, verifica-se o mau estado das infraestruturas", com "prédios decrépitos" e estradas esburacadas.

Desde que se instalou no terreno, a HBD começou a contratar pessoas para fazerem trabalhos tão simples como "seguranças numa ilha onde não há roubos", mais para "ajudar à sustentabilidade económica" do que para outra coisa.

"Desde 1975, a ilha foi preservada em suspensão animada. Continua um sítio lindo. E as pessoas reconhecem a vantagem do ambiente natural em que vivem", disse o empresário, apontando a força icónica das florestas virgens junto a praias paradisíacas, como um "postal de um filme".

Um total de "53% da ilha é um parque natural, mas tem de existir retorno económico dessa preservação", sob pena de começarem as pressões para a degradação ambiental em busca do lucro fácil. "O que fizermos não pode causar danos no ambiente: o turismo tem de ser ambientalmente sustentável", defende.

O Príncipe, continuou Buster Howes, "tem um potencial de história para ser um destino para o turismo global mas é necessário evoluir para um tipo de destino maduro que não seja, de modo algum, estragado".

Por isso, a HBD aposta na recuperação de quintas antigas, roças do tempo colonial, preservando o ecoturismo sustentável. "Queremos importar menos e estamos a investir na agricultura" e transformar este setor numa alavanca económica da ilha, disse.

"Estamos no processo de plantar duas mil árvores ilangue-ilangue e já temos compradores para os óleos de lã e de côco" e "vamos produzir vários chocolates", estando ainda prevista a construção de 25 colmeias, porque "não há mel doméstico nem aqui nem em São Tomé", exemplificou.

"Não somos um governo-sombra, trabalhamos sempre com o presidente José Cassandra [do Governo Regional] e contamos com os eleitos desta pequena ilha para garantir a legitimidade das nossas ações", disse.

A empresa tem comprado milhares de hectares na ilha "mais para preservar do que para construir", procurando retirar os apetites imobiliários de alguns pontos.

No entanto, "essa área está disponível para o uso das pessoas", explicou, salientando que a maior parte do território é floresta autóctone.

"Há o risco de termos rapidamente uma corrida" de promotores turísticos ou o aparecimento de "uma empresa de capital de risco da Nigéria que investe em turismo de massas", reconheceu o administrador. Por isso, a HBD tentou "comprar os melhores lugares turísticos na costa para impedir a especulação turística".

"Iremos fazer algo para gerar emprego mas não temos ainda certeza do que iremos fazer. Queremos, para já, comprar para preservar", disse, temendo o apetite de outros tubarões turísticos: "Se há uma corrida ao cimento farão dinheiro por algum tempo mas não o farão por muito tempo e será uma tragédia" porque o "Príncipe vai perder aquilo que é o segredo do seu sucesso".

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